44 no olho - esportes
Re:
por pedro damasio / foto: rodrigo kbça
Klaus Bohms tem manobras e idéias de sobra pra mostrar. Nesse bate-papo por e-mail, ele fala sobre skate, arte, música, vídeo, revistas, websites e bosta.
VOID: Pra começo de conversa, explica aí a origem do seu nome. Não vai dizer que você nasceu em Salvador.
KLAUS: Hahaha... Em qualquer lugar que eu tivesse nascido iria ter o mesmo nome, porque é da descendência alemã da família do meu pai. E “Klaus” foi inspirado no nome de um padrinho que tive com o mesmo nome, meus pais decidiram que seria coerente ter o primeiro nome também de origem alemã, pois não cairia bem um João Bohms, por exemplo. Sou grato por isso. Tem uns pais sem noção por aí, né!?
VOID: Tem vários, mas a maioria bota no mundo jogador de futebol, não skatista...
KLAUS: Deve ser por isso que eles ganham mais, pra compensar os nomes zuados hahahaha...
VOID: Hehe podecrê...
VOID: Entre o e-mail anterior e esse encontrei você na Swell, clássica pista de skate no Rio Grande do Sul. Com esse sangue alemão na veia, você se sente em casa quando vem pra essas bandas?
KLAUS: Me sinto bem sim por aí, mas acho que não pela descendência e sim porque costumo ir com freqüência e encontrar conhecidos, andar no IAPI, que é um dos lugares que mais gosto. E agora ter conhecido a Swell, que é um lugar muito style com uma vibe boa, onde quero ir mais vezes com certeza. Acabei de terminar um texto sobre a Swell pra postar no blog da Cemporcento(1) de tanto que curti...
VOID: Deu pra perceber que você curte passar adiante suas experiências com o skate escrevendo em blogs, captando imagens, fazendo um som. Fala um pouco sobre isso.
KLAUS: É verdade, acho que gosto de fazer todas essas coisas pra não me sentir meio vagabundo hahaha, porque andar de skate é difícil, nos machucamos, passamos por situações complicadas nas ruas e tal, mas mesmo com tudo isso encaro como uma diversão, algo que faço por prazer e sinto que preciso fazer alguma outra coisa além disso... Desde a escola já gostava de escrever, e sobre skate é fácil ter assunto porque tô em contato com ele até nos sonhos. Aí publicaram uns textos meus nas revistas de skate, me chamaram pra escrever nos blogs, etc. Sempre me interessei com a parada do audiovisual que no skate é muito forte, fiz um curso de vídeo no Senai e estou sempre filmando e editando alguma idéia... O Violeta Ping Pong(2) (a “banda”) aconteceu numa viagem de final de ano que fiz com a Karen, Cotinz e a Ale. Levamos uns instrumentos pra zuar, e como choveu vários dias ficamos dentro de casa tocando os instrumentos e tomando vinho chapinha hahaha. Gravamos no Garage Band, e quando vimos tínhamos vários sons. Tenho uns instrumentos em casa e gravo direto, mas não sei teoria alguma, é tudo na lokura (mas não sou drogado).
VOID: Ah, pára... Skatista é tudo maloqueiro-vagabundo-puxador-de-fumo...
KLAUS: Esse devia ser o pensamento do Jânio Quadros em 1988, quando ele proibiu skate nas ruas de São Paulo hahahaha...
VOID: Haha véio fiadaputa...
Mas voltando ao assunto, o ambiente do skate é muito rico. A rua é ponto de convergência de uma porrada de manifestações culturais, e é comum ver neguinho que começou no skate enveredando pro lado da música e das artes plásticas, por exemplo. Muita gente encara isso como uma transição natural, por considerar que o próprio skate já é uma forma de arte. Você concorda com isso?
KLAUS: Eu concordo. Isso é uma das coisas que o skate me proporciona que eu mais gosto, essa liberdade de estar produzindo coisas em contato com o mundo, na rua, com tudo que está acontecendo. E considero sim uma manifestação artística, pois interpretamos o cenário da cidade de uma forma diferente, usando por exemplo um corrimão, que serve para proporcionar segurança, para nos arriscarmos em andar por cima dele. As escadas, os muros, os postes, as guias, tudo tem um outro significado na mente do skatista. Não estamos na rua apenas de passagem entre um lugar e outro, estamos vivenciando aquilo, interagindo, e isso abre um leque de conhecimento muito grande, nos faz reparar nas pinturas, nas pessoas, na arquitetura, no andamento das coisas, e nos desperta interesse. Por isso é tão natural skatistas se manifestarem a partir de outros tipos de arte. E quando penso nisso, entendo cada vez menos os caras que ficam presos nas pistas “treinando” para ganhar campeonatos. Mas é assim, o skate não tem dono e não tem regras, cada um pratica de acordo com o que pensa, de acordo com a personalidade.
VOID: Já que você falou em treino... E a porra da mega-rampa, acaba sendo algo meio sem sentido pra você?
KLAUS: É um outro formato de skate, uma vertente do que é o half pipe, que é uma coisa que eu não tenho paciência para praticar. Chegar na pista, colocar equipamentos e ficar pra lá e pra cá, até admiro e tenho vontade de ter a sensação de um backside altão ou de um lien air, ando de vez em quando durante alguns minutos, mas não consegui me envolver totalmente com isso. Então eu vejo a mega-rampa como uma categoria que definitivamente leva o skate a um formato esportivo, o que não me interessa muito por este ponto de vista, porém não deixa de fazer sentido. É uma manifestação de evolução que partiu de skatistas que vivem skate há muitos anos, já andaram em todos os lugares imagináveis, têm uma visão muito ampla de skate e suas possibilidades, dominam o que fazem e isso resultou nesse grande acontecimento, é marcante e eleva o nome do skate a um outro nível.
VOID: Essa sua maneira de pensar tem muito a ver com a pilha da Adidas, de valorizar o lado mais comportamental do skate. Isso foi decisivo na hora de escolherem você como o primeiro brasileiro a entrar pra marca?
KLAUS: Hoje em dia aqui no Brasil tem pouca gente que olha o skate com um ponto de vista parecido com este, e foi exatamente por isso que fui o primeiro contratado. A Adidas queria alguém com este tipo de perfil, e foi a hora perfeita para fazermos um trabalho juntos. O fato de o meu outro patrocínio ser a Element também é uma coisa boa, pois as duas marcas juntas ficam bem.
VOID: Nada mal... Mas deixando as marcas de lado, diz aí três coisas dukaralho que você descobriu nos último tempos.
KLAUS: Putzzzz, essa é difícil... Primeira: “O que aduba a terra é a bosta” (reflexão de um amigo após termos uma conversa sobre trabalho e chatices). Segunda: Capturar as imagens no final cut marcando o time code da fita e quando terminar de editar deixar tudo em off line, muuuuito útil. Terceira: Pretensões estragam quase tudo.
VOID: Pô então tenho uma nova pra você. Esses dias um amigo meu mandou ver num churrasco, encheu a cara e acabou vomitando num vaso. Brotou um monte de plantas... Vômito=chatices=adubo=verdinhas (plantas e grana) (quanta bosta). Bom, mas continuando com o número mágico, diz aí três vídeos de skate que você gostaria de ter feito.
KLAUS: Cliché – Gipsy Tour(3), uma turnê da marca européia Cliché com o intuito de, durante duas semanas, fazer skatistas viverem como ciganos, sem hotel, sem grana para comida e tendo que render material pra fazer um vídeo. ANIMAL! TWS - Skate and Create(4), uma competição realizada pela revista Transworld. Foram 4 equipes convidadas, cada uma com 5 skatistas, um fotógrafo e um video maker, tendo que produzir um vídeo durante 9 dias num galpão fechado. Os resultados são foda! E qualquer vídeo usando os equipamentos do Jason Hernandez(5).
VOID: Três sons que você anda escutando.
KLAUS: Tunng, Devendra Banhart, Moreira da Silva.
VOID: Três revistas que todo mundo deveria ler.
KLAUS: WAD, Transworld Skateboarding, Juxtapoz.
VOID: Três websites que merecem uma olhada sempre.
KLAUS: Tweaker zine(6), RVCA(7) e The SkateboardMag(8) (pra ver o “Magminute”).
VOID: Pra fechar, três coisas que combinam perfeitamente com o skate.
KLAUS: Uma roupa que te faça sentir muuuito bem, um chão liso, lugares incomuns…
VOID:E cerveja?
KLAUS:Cerveja combina muito, mas depois da sessão.
––-
(1)http://cemporcentoskate.uol.com.br/blogLer.php?categoria=18&id=391
(2) http://www.myspace.com/violetapingpong
(3) http://www.clicheskate.com/g2/
(4) Vídeo vencedor: http://skateboarding.transworld.net/2008/08/15/tws-skate-create-dvs
(5) http://skateboarding.transworld.net/2008/05/16/eazy-dolly/
(6) http://www.tweakerzine.com
(7) http://www.rvca.com/
(8) http://www.theskateboardmag.com
re:
por pedro damasio / fotos: rodrigo kbça
Klaus Bohms tem manobras e idéias de sobra pra mostrar. Nesse bate-papo por e-mail, ele fala sobre skate, arte, música, vídeo, revistas, websites e bosta.
VOID: Pra começo de conversa, explica aí a origem do seu nome. Não vai dizer que você nasceu em Salvador.
KLAUS: Hahaha... Em qualquer lugar que eu tivesse nascido iria ter o mesmo nome, porque é da descendência alemã da família do meu pai. E “Klaus” foi inspirado no nome de um padrinho que tive com o mesmo nome, meus pais decidiram que seria coerente ter o primeiro nome também de origem alemã, pois não cairia bem um João Bohms, por exemplo. Sou grato por isso. Tem uns pais sem noção por aí, né!?
VOID: Tem vários, mas a maioria bota no mundo jogador de futebol, não skatista...
KLAUS: Deve ser por isso que eles ganham mais, pra compensar os nomes zuados hahahaha...
VOID: Hehe podecrê... Entre o e-mail anterior e esse encontrei você na Swell, clássica pista de skate no Rio Grande do Sul. Com esse sangue alemão na veia, você se sente em casa quando vem pra essas bandas?
KLAUS: Me sinto bem sim por aí, mas acho que não pela descendência e sim porque costumo ir com freqüência e encontrar conhecidos, andar no IAPI, que é um dos lugares que mais gosto. E agora ter conhecido a Swell, que é um lugar muito style com uma vibe boa, onde quero ir mais vezes com certeza. Acabei de terminar um texto sobre a Swell pra postar no blog da Cemporcento(1) de tanto que curti...
VOID: Deu pra perceber que você curte passar adiante suas experiências com o skate escrevendo em blogs, captando imagens, fazendo um som. Fala um pouco sobre isso.
KLAUS: É verdade, acho que gosto de fazer todas essas coisas pra não me sentir meio vagabundo hahaha, porque andar de skate é difícil, nos machucamos, passamos por situações complicadas nas ruas e tal, mas mesmo com tudo isso encaro como uma diversão, algo que faço por prazer e sinto que preciso fazer alguma outra coisa além disso... Desde a escola já gostava de escrever, e sobre skate é fácil ter assunto porque tô em contato com ele até nos sonhos. Aí publicaram uns textos meus nas revistas de skate, me chamaram pra escrever nos blogs, etc. Sempre me interessei com a parada do audiovisual que no skate é muito forte, fiz um curso de vídeo no Senai e estou sempre filmando e editando alguma idéia... O Violeta Ping Pong(2) (a “banda”) aconteceu numa viagem de final de ano que fiz com a Karen, Cotinz e a Ale. Levamos uns instrumentos pra zuar, e como choveu vários dias ficamos dentro de casa tocando os instrumentos e tomando vinho chapinha hahaha. Gravamos no Garage Band, e quando vimos tínhamos vários sons. Tenho uns instrumentos em casa e gravo direto, mas não sei teoria alguma, é tudo na lokura (mas não sou drogado).
VOID: Ah, pára... Skatista é tudo maloqueiro-vagabundo-puxador-de-fumo...
KLAUS: Esse devia ser o pensamento do Jânio Quadros em 1988, quando ele proibiu skate nas ruas de São Paulo hahahaha...
VOID: Haha véio fiadaputa...
Mas voltando ao assunto, o ambiente do skate é muito rico. A rua é ponto de convergência de uma porrada de manifestações culturais, e é comum ver neguinho que começou no skate enveredando pro lado da música e das artes plásticas, por exemplo. Muita gente encara isso como uma transição natural, por considerar que o próprio skate já é uma forma de arte. Você concorda com isso?
KLAUS: Eu concordo. Isso é uma das coisas que o skate me proporciona que eu mais gosto, essa liberdade de estar produzindo coisas em contato com o mundo, na rua, com tudo que está acontecendo. E considero sim uma manifestação artística, pois interpretamos o cenário da cidade de uma forma diferente, usando por exemplo um corrimão, que serve para proporcionar segurança, para nos arriscarmos em andar por cima dele. As escadas, os muros, os postes, as guias, tudo tem um outro significado na mente do skatista. Não estamos na rua apenas de passagem entre um lugar e outro, estamos vivenciando aquilo, interagindo, e isso abre um leque de conhecimento muito grande, nos faz reparar nas pinturas, nas pessoas, na arquitetura, no andamento das coisas, e nos desperta interesse. Por isso é tão natural skatistas se manifestarem a partir de outros tipos de arte. E quando penso nisso, entendo cada vez menos os caras que ficam presos nas pistas “treinando” para ganhar campeonatos. Mas é assim, o skate não tem dono e não tem regras, cada um pratica de acordo com o que pensa, de acordo com a personalidade.
VOID: Já que você falou em treino... E a porra da mega-rampa, acaba sendo algo meio sem sentido pra você?
KLAUS: É um outro formato de skate, uma vertente do que é o half pipe, que é uma coisa que eu não tenho paciência para praticar. Chegar na pista, colocar equipamentos e ficar pra lá e pra cá, até admiro e tenho vontade de ter a sensação de um backside altão ou de um lien air, ando de vez em quando durante alguns minutos, mas não consegui me envolver totalmente com isso. Então eu vejo a mega-rampa como uma categoria que definitivamente leva o skate a um formato esportivo, o que não me interessa muito por este ponto de vista, porém não deixa de fazer sentido. É uma manifestação de evolução que partiu de skatistas que vivem skate há muitos anos, já andaram em todos os lugares imagináveis, têm uma visão muito ampla de skate e suas possibilidades, dominam o que fazem e isso resultou nesse grande acontecimento, é marcante e eleva o nome do skate a um outro nível.
VOID: Essa sua maneira de pensar tem muito a ver com a pilha da Adidas, de valorizar o lado mais comportamental do skate. Isso foi decisivo na hora de escolherem você como o primeiro brasileiro a entrar pra marca?
KLAUS: Hoje em dia aqui no Brasil tem pouca gente que olha o skate com um ponto de vista parecido com este, e foi exatamente por isso que fui o primeiro contratado. A Adidas queria alguém com este tipo de perfil, e foi a hora perfeita para fazermos um trabalho juntos. O fato de o meu outro patrocínio ser a Element também é uma coisa boa, pois as duas marcas juntas ficam bem.
VOID: Nada mal... Mas deixando as marcas de lado, diz aí três coisas dukaralho que você descobriu nos último tempos.
KLAUS: Putzzzz, essa é difícil... Primeira: “O que aduba a terra é a bosta” (reflexão de um amigo após termos uma conversa sobre trabalho e chatices). Segunda: Capturar as imagens no final cut marcando o time code da fita e quando terminar de editar deixar tudo em off line, muuuuito útil. Terceira: Pretensões estragam quase tudo.
VOID: Pô então tenho uma nova pra você. Esses dias um amigo meu mandou ver num churrasco, encheu a cara e acabou vomitando num vaso. Brotou um monte de plantas...
Vômito=chatices=adubo=verdinhas (plantas e grana) (quanta bosta).
Bom, mas continuando com o número mágico, diz aí três vídeos de skate que você gostaria de ter feito.
KLAUS: Cliché – Gipsy Tour(3), uma turnê da marca européia Cliché com o intuito de, durante duas semanas, fazer skatistas viverem como ciganos, sem hotel, sem grana para comida e tendo que render material pra fazer um vídeo. ANIMAL! TWS - Skate and Create(4), uma competição realizada pela revista Transworld. Foram 4 equipes convidadas, cada uma com 5 skatistas, um fotógrafo e um video maker, tendo que produzir um vídeo durante 9 dias num galpão fechado. Os resultados são foda! E qualquer vídeo usando os equipamentos do Jason Hernandez(5).
VOID: Três sons que você anda escutando.
KLAUS: Tunng, Devendra Banhart, Moreira da Silva.
VOID: Três revistas que todo mundo deveria ler.
KLAUS: WAD, Transworld Skateboarding, Juxtapoz.
VOID: Três websites que merecem uma olhada sempre.
KLAUS: Tweaker zine(6), RVCA(7) e The SkateboardMag(8) (pra ver o “Magminute”).
VOID: Pra fechar, três coisas que combinam perfeitamente com o skate.
KLAUS: Uma roupa que te faça sentir muuuito bem, um chão liso, lugares incomuns…
VOID: E cerveja?
KLAUS: Cerveja combina muito, mas depois da sessão.
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(1) http://cemporcentoskate.uol.com.br/blogLer.php?categoria=18&id=391
(2) http://www.myspace.com/violetapingpong
(3) http://www.clicheskate.com/g2/
(4) Vídeo vencedor:
http://skateboarding.transworld.net/2008/08/15/tws-skate-create-dvs/
(5) http://skateboarding.transworld.net/2008/05/16/eazy-dolly/
(6) http://www.tweakerzine.com/
(7) http://www.rvca.com/
(8) http://www.theskateboardmag.com/



