48 na mosca - na caixa
ya-dub-dubdoo
por leandro vignoli
Notícias acerca do mundo mágico da cannabis... digo, do DUB.
1) Das bandas mais legais do momento, os Easy Stars All-Stars estão de volta. Após lançar discos inteiros com versões reggae-dub de Pink Floyd e Radiohead, agora a banda coverizou na íntegra o Sgt. Pepper’s, dos Beatles.O álbum se chama Easy Star’s Lonely Hearts Dub Band, corre atrás que é da hora.
2) Quem também entrou na brisa do ritmo das terras jamaicanas é o Franz Ferdinand. Os branquelos ali vão relançar todo seu terceiro álbum, Tonight, em versão reggae e sob o nome Blood. A produção é de Don Carey, colaborador de Mad Professor (espécie de pai do dub britânico), e o lançamento rola em junho, então fique atento aos sinais de fumaça.
3) Finalmente lançado em DVD o documentário Dub Echoes, produção dos brasileiros Bruno Natal e Chico Dub. Com depoimentos de lendas do estilo, como Lee Perry e Scientist, a edição é gringa, e por enquanto não há previsão de lançamento por aqui. A solução é pagar £9,99 no site da cultuada Soul Jazz Records. E te garanto que tá barato.
a vanguarda do troca troca
por leandro vignoli
Está disponível para download o novo som do Sonic Youth, de forma oficial, no site do selo Matador. Sacred Trickter é cantada (ou melhor, gritada) pela baixista Kim Gordon, numa levada que soa punk de descendência de Ramones, em pouco mais de dois minutos. A música é o cartão de visitas de The Eternal, novo álbum deles que sai em junho e que vai ter a participação do ex-Pavement Mike Ibold, justamente tocando baixo em todas as faixas.
Se bobear, o disco já está até flutuando pela web, mas aí de forma não-oficial. Agora, o que certamente está é o single que a banda dividiu com Beck num esquema de troca-troca. O Sonic Youth fez uma versão para Pay No Mind dele, que retribuiu com Green Light, faixa dos nova-iorquinos do disco EVOL. Apenas 250 cópias físicas foram lançadas, o que significa dizer que, aqui pra macacada, só pela internet mesmo. Depois de ler a revista, vai lá e baixa.
não vendemos fiado
por leandro vignoli
Os Smashing Pumpkins, na figura do seu líder, Billy Corgan, estão conectados ao mundo pós-moderno, onde pessoas não querem mais só a música do artista. Logo, num esquema feirão, o careca resolveu vender um passo-a-passo completo da gravação do seu próximo álbum.
Pela quantia de 40 dólares, você recebe um vídeo exclusivo por dia no período de três meses com, no mínimo, cinco minutos de duração cada, segundo ele. Ou seja, caso minha matemática esteja boa, isso dá umas sete horas de vídeo. Quem quiser gastar esse troco tem de mostrar interesse na newsletter do site oficial dos Pumpkins.
Ah, muito importante. Caso haja pouca demanda, o projeto será ABORTADO (chantagem com fãs é coisa bem feia einhô?). O que seria uma pena, afinal, com essa ferramenta tão pouco conhecida das pessoas chamada YOUTUBE, o resto de nós perderia a chance de ver inteirinho de graça esse incrível projeto.
esquizofrenia não tem
por leandro vignoli
O prêmio de chilique do mês vai para o líder do The Cure, Robert Smith. No blog da banda ele esbravejou contra a história de o Radiohead ter liberado o álbum In Rainbows no esquema “pague o quanto quiser”. Disse que a arte tem seu valor, que Thom Yorke não sabe o que é arte, blablablá, aquela choradeira de quem não vende mais discos. Mas, aí, o que ele fez, na semana seguinte, uhn? Liberou de GRAÇA um show INTEIRO para streaming no seu myspace.com/thecure (vai lá e se diverte).
The Cure Live From Secret Shows registra uma apresentação em Los Angeles em dezembro de 2008. Aliás, o piti mais recente foi justamente num show, esse no festival Coachella, mês passado. Após tocar por três horas seguidas, Robert Smith simplesmente não saiu do palco com a banda, mesmo após a organização ter DESLIGADO o som, em função de problemas no tempo. O The Cure tocou nada menos que três músicas com ninguém na platéia (tipo 100 mil pessoas) escutando porra nenhuma. Seria isso drogas? Senilidade? Maquiagem pesada? Não sabemos.
o homem do velho e novo rockenrou
por leandro vignoli
Às vésperas de virar um cinqüentão, o produtor Brendan O’Brien aos poucos vira também o grande nome do chamado rock n’ roll. Aliás, sua habilidade, ironicamente, está no justo fato de modernizar artistas veteranos, como o AC/DC, mas não só.
Após estrear como engenheiro de som no primeiro do Black Crowes, virou espécie de produtor-guru dos anos 90. Como característica, ele não necessita de trabalhos prontos, e auxilia na elaboração de timbres e melodias, mesmo através de jams. Seu estilo é marcado pela limpeza do som das guitarras o máximo possível, pra valorizar a cozinha e se aproximar do ao vivo.
Desse modo que Brendan O’Brien virou o cara. Como ele chegou nesse trono, a gente te explica com uma linha do tempo.
O QUE FEZ
Pearl Jam – Vs. (93): Manter o sucesso nas paradas – essa era a tarefa. E ele fez mais. Transformou o PJ numa grande banda de rock.
Rage Against The Machine – Evil Empire (96): O Rage seguiu insano, mas com o caos da estréia dominado, a política agora tinha teoria, não só desabafos.
Stone Temple Pilots – Tiny Music... (96): O’Brien produziu todos discos do STP. Nesse terceiro, a leveza hard-psicodélica contrastava com o pastiche grunge.
O QUE FAZ
AC/DC – Black Ice (08): É a banda de sempre, ok. Mas repare nos graves, como têm vida. Os Stones, ao ouvirem, jogaram fora seus últimos dez discos.
Bruce Springsteen – Working on a Dream (09): Assobiável, ganchudo, mágico, esse é O Chefe dos anos 2000, e Brendan está ali em cada pedacinho.
Mastodon – Crack the Skye (09): Disparado a melhor banda de metal atual, o quarteto não perdeu um níquel da ferocidade de riffs marcantes e bateria jazzy. E ganhou em abrangência. Muito foda.
O QUE FARÁ
Killswitch Engage (09): Segunda melhor banda de metal, é o primeiro disco com um produtor “externo” (o guitarrista era o manda-chuva). Bote muita fé.
Pearl Jam (09): Apesar de ter produzido quatro discos, e mixado os últimos, há mais de dez anos ele não assina a produção. Os fãs agradecem o retorno.
Aerosmith (09): Se Brendan acertar até com o Aerosmith, vira o Deus do Rock.
1001 discos para ouvir depois de morrer
por leandro vignoli
Quando se fala em Pet Shop Boys, parece até meio óbvio e senso comum que é um pop brega, feito a toque de caixa, para um público bem específico. Parece, mas não é. Ao longo do tempo, são 50 milhões de discos vendidos e um punhado de hits – apenas nesse álbum de estréia são quatro. E todas essas pessoas não acham brega, creio. Mesmo que seja a mesma pessoa que usa BANDANAS escrito GO WEST nos shows.
Agora, voltando ao senso comum e excluindo essa lobotomia da jogada, tudo ao redor dos Pet Shop Boys soa canastrão e terrível. Pra começar, um deles era jornalista musical antes de formar a dupla, ou seja, tinha um case enorme do que fazer pra agradar. E fez.
Em 86, ao lançar Please, a dupla pegou tudo que OMD, Depeche Mode e Human League fizeram (cada banda com meia dúzia de discos) e transformou em karaokê. Todo o esmero no uso de timbres e avanços de sintetizadores foi pro saco, deixando o synth-pop com uma puta cara de som tocado por crianças mexendo em brinquedos (Two Divided by Zero literalmente lança mão dum sample de Speak & Spell, espécie de PENSE BEM gringo, lá nos 80s).
Porém, não era só isso. Ainda que encharcados de riffs medonhos, o elemento SOMBRIO cunhado dessas outras bandas também vacilava. Ao pegar uma faixa como Opportunities, ou mesmo West End Girls, e extrair dali o vocal-nariz de Neil Tennant, o que sobra é um tremendo arranjo new-age. O que basicamente transforma os PSB numa espécie de Enya para homossexuais.
Claro que após Please, em discos seguintes, eles foram ficando mais e mais alegres – e piores. Ao ponto de haver generosa SEMELHANÇA entre a produção de Domino Dancing e qualquer faixa daquele álbum massa do Milli Vanilli. Ao ponto de Chris Lowe, o cérebro, ser apontado pelo The Guardian como o famoso mais conhecido por fazer nada do que qualquer outra pessoa na indústria do entretenimento. O que é um tanto desdenhoso. Ele, na verdade, vai deixar a sua trilha sonora no inferno mais cheia de, ahn, glamour.



