46 auto-estrada - Na Caixa
21st century breakdown
por leandro vignoli
O Green Day já anunciou nome, capa e tracklist pra seu novo álbum, que sai em maio. Após conquistar a glória e aumentar a quantidade de groupies ao redor com o sucesso de American Idiot (04), em 21st Century Breakdown a banda deve seguir a mesma linha ópera-punk-rock do seu último disco, assim como as letras com críticas ácidas ao governo (ou ex-governo) americano.
Primeiro disco deles produzido por Butch Vig (aquele que colocou as patas em Nevermind, do Nirvana), ao todo serão 16 faixas, divididas em três segmentos: Heroes and Cons, Charlatans and Saints e Horseshoes and Handgrenades (literalmente, “Heróis e XXXX”, “Charlatães e Santos” e “Ferraduras e Granadas”).
Em fevereiro, trechos de seis dessas músicas foram disponibilizados online nas principais publicações gringas. Após o lançamento do álbum, que deve rolar em 8 de maio, o trio sai em turnê mundial percorrendo arenas, estádios e, por que não, apoteoses de samba. A capa do disco é de Chris Bilheimer, que já trampou em ilustrações de diversos discos do R.E.M.
todos os olhos
por leandro vignoli
E por falar em capas de disco, o designer inglês Patrick Murphy teve a idéia de reunir as 100 capas definitivas da música dos séculos XX e XXI. Batizada de "REVOLUTIONS: From Gatefold to Download, the Art of the Album Cover", a exposição planeja traçar a história das artes feitas por trás de cada álbum, desde a década de 30, com o pioneiro diretor de arte da Columbia, Alex Steinweiss, até os dias de hoje.
A exibição explora como as capas influenciaram a cultura de massa e foram influenciadas por ela, e dá uma viajada no lado mais obscuro do cérebro de cada artista por trás das ilustrações. Essa mostra tá rolando na galeria The Civic, nos cafundós de Barnsley, Inglaterra.
Por enquanto não se tem notícia se vai percorrer o mundo, e, assim sendo, só nos resta dar uma passadinha no site do curador da história toda, www.patrickmurphystudio.co.uk, e nos regozijar com a melhor capa de todos os tempos, que, pra nossa sorte, foi cunhada aqui no nosso Brasil varonil.
joaquin, joaquin...
por leandro vignoli
Quem esteve no hype por tabela nas últimas semanas foi o programa “Late Show”, mix de entrevistas e humor (ruim) apresentado pelo David Letterman. Isso após a passagem por lá do ator Joaquin Phoenix (aquele que fez, e muito bem, o Johnny Cash no filme Walk the Line) num dos episódios mais engraçados do ano.
Vestido todo de preto, óculos wayfarer, e gigantesca e horrenda barba, o ator não respondia coisa alguma com o mínimo de coerência, não divulgou seu novo filme, e só se “empolgou” pra falar do seu novo projeto musical, de HIP-HOP, que, enfatizado por ele, é verdadeiro (há um bom tempo corria pela internet um vídeo bizarro com Phoenix numa apresentação ao vivo, vestido de RAPPER).
Ninguém concluiu se a entrevista demonstra insanidade, drogas em quantidade demasiada ou mero hoax (que é quando alguém adota postura como se fosse real para logo ali adiante revelar que se tratava de marketing sobre algum projeto). Bom, com esse look tenebroso, não é de se espantar que seja um pouco de cada coisa.
é a dança do canguru que chegou para vocês
por leandro vignoli
Um dos traços marcantes desta década que se aproxima da rabeira é a tendência de misturar coisas. E a música, retrato bastante fiel do que ocorre com o mundo a seu redor, é uma fonte inesgotável dessa tendência.
De fato, misturar nunca foi exatamente um problema para a música, mais uma solução, e a ligação cada vez mais estreita entre som orgânico e eletrônico tomou certo ápice em 2008 levando às últimas conseqüências a idéia de intercambiar guitarras e pick-ups. Foi da Austrália que saíram algumas das principais produções de exportação do gênero, fazendo dos aussies (como na gíria os australianos se autodefinem) a bola da vez quando o assunto é indie-electro-rock ou algo assim.
Apresento pra vocês a Aussie Invasion.
The Presets: dupla baseada em Sydney, eles foram os primeiros caras da eletrônica a ganhar o prêmio de álbum do ano no Aria Awards (o Grammy australiano), com Apocalypso. Com batidas pesadas em meio a guitarras processadas e muito sintetizador, são donos de uma das melhores apresentações ao vivo, das poucas que botam pra fuder tanto no modo “live stage” (com banda), ou “DJ set” (discotecagem). Do disco, “My People” e “This Boy’s in Love” empapam as paletas de suor em qualquer lugar.
Empire of the Sun: a dupla é resultante da união dum vocalista de “alt-country” com o cabeça por trás duma banda de dance music. Walking on a Dream foi o disco fruto disso, num clima de psicodelia electro, VAGAMENTE parecido com MGMT, com a diferença de que o Empire of the Sun é mais FEROZ, arrojado e adulto. Uma viagem produzida por psicotrópicos é indissociável na audição do álbum, e a faixa-título é hit mais do que certeiro em qualquer pista que se preza na atualidade (e posteridade).
Midnight Juggernauts: melhor e mais subestimado da leva, o quarteto de Melbourne é inclassificável justamente pelo fato de que, ao vivo, todos tocam instrumentos. Por assim dizer, é ELECTRO quase orgânico, não fosse o som entupido de RIFFS de sintetizador. A estréia deles, Dystopia, foi lançada em 2007 na Austrália, mas só em 2008 ganhou lançamento mundial. Dali saiu “Into the Galaxy”, o som mais foda do ano passado.
Cut Copy: também de Melbourne, o hoje trio teve vaga resposta com seu rasteiro e sem graça disco de estréia, em 2004. Muito mais bem concebido, In Ghost Colours, se não um sucesso de público, foi presença constante nas listas de melhores discos do ano passado. Com produção assinada por Tim Goldsworthy (LCD Soundsystem), ele carrega na vibe 80s somada ao “dance-punk” do Justice, um simulacro estético-orgânico de ótimos momentos. Entre estes, “Feel the Love”, “Lights and Music” e “Midnight Runner”.
Van She: de Sydney, eles são os mais próximos do que podemos chamar de rock com synths justapondo sons eletrônicos, e não o contrário. O álbum V passeia com naturalidade entre algo que lembra um Bowie (fase Berlim) e o Cocteau Twins sem a xaropice do vocal. “Cat & the Eye” e “Changes” (que não é aquela) te darão a noção.
1001 discos para ouvir antes de morrer
por leandro vignoli
Uma sucessão de terríveis acontecimentos é o ponto inicial deste malfadado disco. Quando John Lennon conheceu Yoko Ono, a relação dele com os demais Beatles já era uma disputa entre egos gigante, mas a coisa fluía. A ponto de lançarem outros três álbuns durante o período entre namoro e casamento do casal.
Agora, tenta imaginar. Como manter um clima apenas suportável com alguém que você precisa suportar, e que, pra piorar, insiste em andar com alguém insuportável e que você não precisa suportar? Ok, normal, isso acontece a toda hora com qualquer um de nós. Mas, eis a diferença: nenhuma mulher chata de amigo é a Yoko.
Então, só pela mera possibilidade de essa união ter sido o começo do fim dos Beatles, a coisa já é uma cagada. Porém, suponhamos que a culpa não seja deles. Ainda assim, Unfinished Music traz uma visão do inferno logo na capa, ostentando a PINGOLA MURCHA de Lennon, ao lado duma errr... TODA MURCHA. E onde isso não for bizarro o suficiente, na contracapa tem a foto dos dois pelados de costas (que é quando se percebe o quanto de DIVINO havia no beatle ao conseguir alguma ereção).
Aliás, ele achava que a proibição da capa em alguns países não era tanto pela nudez explícita, e sim pela feiúra dos dois, o que, convenhamos, seria a única censura justificável na história.
Mas tudo só fica pior e pior. O subtítulo do álbum, Two Virgins (leia-se “dois virgens”), advém do fato de que, após gravarem o disco durante toda uma noite, em maio de 68, na madrugada o casal consumou a relação pela primeira vez – tipo, eles FUDERAM. Alguma coisa na qual eu não consigo pensar sem ficar o resto do dia sem comer. E com tamanha aura negativa, havia somente uma coisa nesse álbum pior do que o começo do fim dos Beatles, a desnecessária visão de John e Yoko pelados, e a repulsiva imagem desses dois trepando: as músicas. Ou melhor, as “músicas inacabadas”.
Unfinished Music N°1: Two Virgins é apenas uma colagem experimental de “avant-garde” dividida em duas partes. Em quase trinta minutos de tortura, o que se ouve são apenas bases pré-gravadas com ruídos, distorções e sons ambiente sem sentido, um pano de fundo enquanto Lennon pisoteava, batia com a cabeça, ou seja lá que outra merda ele tentava fazer com os instrumentos.
Em algum ponto da gravação, Yoko também teve a idéia de gritar pra valer – ansiosa pelo coito que teria a seguir, suponho. Ou seja, algo não muito diferente do que haveria se alguém colocasse o sobrinho de sete meses em cima dum piano e, no canto da sala, ateasse fogo no rabo dum siamês.
Não é música de forma alguma, como ao menos atesta o nome do álbum. É apenas sadismo ruim travestido de arte. A ponto de, no dia em que você morrer, ser recepcionado no inferno por Mark David Chapman, com um sorriso no rosto, e uma plaquinha na mão escrito EU TIVE MEUS MOTIVOS, PORRA!



