auto-estrada

46 auto-estrada - Matéria 01

Calores

por Felipe de Souza / Fotos: Mauricio Capellari

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Atire a primeira pedra quem nunca se pegou dando uma olhada pra mãe do amigo, aquela coroa inteiraça que ainda dá um bom caldo. Por certo depois de cobiçar a mamma alheia você se sentiu culpado. Mas desencane, isso é tão normal que a indústria pornô tem até uma categoria especial para os que curtem uma senhora entrada em anos, mas ainda boazuda: M.I.L.F (Mothers I´d Like to Fuck). E o melhor é que você não precisa se esgueirar por entre prateleiras de videolocadoras suspeitas para achar essas pérolas. Digite M.I.L.F no Google e aproveite a jornada.

Além da web e da sétima arte, existe a opção de ir à luta atrás dessas quarentonas e cinquentonas. Nós fomos e tiramos uma febre de como se comportam essas meninas, soltas na noite com a disposição de mariners para fazer festa, tomar tragos, bailar e, calhando, dar umas com força. Tarefa árdua, pois elas gostam de atacar na moita e não são nem um pouco afeitas a câmeras e gravadores. Mesmo assim, metemos a cara, tomamos daikiris, bailamos ao som de Roupa Nova e Pepino di Capri e levamos um sem-número de nãos nas fuças. Mas sobrevivemos para contar as histórias. Ah, não nos leve a mal. Mas sua mãe pode estar nessa matéria.

VOLARE, ÔO, CANTARE, ÔOOO

A primeira parada da nossa trip atrás das meninas foi na Cidade Baixa, o reduto da boemia de Porto Alegre, em um famoso e tradicional pico encravado na avenida Venâncio Aires. Para entrar, tivemos que pedir para a chefia não encanar com os pisantes surrados que usávamos. Um dos itens da lista de regras do local proíbe tênis e assemelhados. O bar é amplo, balcãozão onde os coroas ancoram as barrigas para bebericar, outro salão grande com mesas próximas umas das outras e uma pista de dança gigante, com palco e tudo. Numa espiada furtiva na cozinha, chamava atenção o imenso pote de ovos de codorna.

Aos poucos, as tias começam a chegar, lotam o clube e desfilam com seus drinks coloridos. Se você pensa que foi só chegar e fazer contato, está muito enganado. A velha guarda passeava com seus vestidos de decotes abissais sem dar a mínima para os dois menores de 30 que bebiam cevas servidas em baldinhos com gelo. Elas queriam pessoas do nosso gênero, só que talvez com mais décadas de RG e mais recheio nas carteiras.

“Essas mulheres que vêm aqui estão em uma situação confortável. Muitas delas recebem boas pensões dos ex-maridos, coisa de R$2 mil por mês, aí fica fácil fazer festa, né?”, dispara o gerente do bar. Segundo o cara, a pegação é forte, mas o mané que importunar demais é colocado para fora. Ele também aproveita a deixa para dizer que não, não seria boa idéia ficar tirando fotos da geral. Demos uma olhada no tamanho do segurança e preferimos aceitar o conselho.

Já descrentes da afabilidade das lobas e com alguns litros de cerveja na cabeça, uma loira de quase 1,80 aterrissa na mesa. Verônica tem 47 anos, rosto de 50, peitos de 28 e pernas suficientes para enlaçar um boi nelore em um coito de zoofilia. “Eu venho bastante aqui, gosto de dançar, de paquerar, mas não quero namoro.” E se ela dança, eu danço.

Depois de menos de cinco minutos de conversa, puxo a dama para a pista. Nos enlaçamos ao som de Volare, Cantare. Chego junto, encosto a pélvis da menina nas jóias da família e, em um movimento rápido, apalpo com veemência o naco de bunda que está ao alcance de minha mão direita. Pééééééé.

Verônica se desvencilha da posição com a destreza e força de um Gracie no octagon, vira as costas e vai embora, não sem antes dar o recado: “Relações cortadas, neném”. Fico no meio da pista, com cara de bêbado, me perguntando onde ela gostaria que eu metesse a mão. Cacete, outros códigos! O mais espantoso é que a jovem senhora, em vez de se empirulitar pra outras bandas, senta-se à mesa e protesta a respeito do meu comportamento com meu camarada. “Sabe o que ele fez? Meteu a mão no meu rabo!”

O resto do tempo ela aproveita para lembrar de outro canalha (além de mim) que a levou para seu apartamento para meter ferro e, dias depois, mandou-lhe por e-mail um vídeo com a transa. “Ele começou dizendo que queria só filmar meus pés”, explicava, atônita. Deus do céu, eu estava sentado na frente de uma Susana Vieira do subúrbio. Só faltava ela dizer que tinha passado um Chevette 82 e uma casa em Gravataí pro nome do cara. Esse é o lado ruim de ir atrás das Canis lupus fêmea: um deslize e elas vão te contar tudo o que deu errado desde o carnaval de 75.

EU PERGUNTAVA DO YOU WANNA DANCE

Agora, mano, se apesar desses alertas você ainda tiver em mente pegar uma senhora entrada em anos em Porto Alegre, mantenha-se longe, muito longe, da avenida Getúlio Vargas. É por lá que está instalado um outro bar para pegação de gente mais velha. “Velhos não, maduros!”, ressalta o manager. O lugar também é amplo, com mesinhas, pista grandona e o tradicional balcão onde rola o tiroteio. Foi por ali que ficamos.

Mais uma vez, fotos são proibidas, até com mais veemência do que no clube anterior. “Quem vem pra cá não quer ter sua intimidade exposta”, explica, mais uma vez, o prestativo gerente. A afirmação de não quererem expor as intimidades vai por água abaixo quando conhecemos a Vanessa. Vou tentar te dar uma idéia de como a tia se parece: imagine a Mortícia depois de passar pela mesa do Ivo Pitanguy em uma manhã de ressaca. Ela era tão esticada que abria os braços involuntariamente toda vez que ria.
Natural de Venâncio Aires, ela não queria papo, mas rebolava fre-ne-ti-ca-men-te seus dois litros de silicone injetados na rabeta. Ao nosso lado, um sósia do José Genoino ria malicioso enquanto a ceva lhe escorria pelo canto da boca. Fora Vanessa, parece que todas as outras “minas” do local usam a antipatia como vestimenta obrigatória. Além do carisma zero dos freqüentadores, da decoração cafona de puteiro chique e do Roupa Nova bombando nas caixas, os preços são proibitivos.

No fim da noite, ainda tentava descobrir por qual bebida tinham me cobrado R$10 a dose, fora os vintão no seco, só pra entrar.

Saímos de lá jururus e mal-amados, amargos como as cinqüentonas mal-comidas que acabáramos de encontrar. A solução? O Google pra tudo tem resposta. Foi pela web que descobrimos uma comunidade de tias prafrentex que se reuniam em bares quase privê. E como foi bom encontrá-las: Lelês, Marias, Suzanas, Juremas, Roseméris... Todas nos receberam com sorrisos nos rostos, gritando, bebendo cerveja e jogando sinuca. Ufa! Já estávamos pensando que, entre os 40 e os 50, alguma misteriosa chaga deixava as mulheres mal-humoradas exalando Avon pelos poros.

“Eu faço o que quero, quando quero e se quero. Não quero ninguém na minha vida, minha vida é maravilhosa”, enfatiza com veemência a líder do grupo. E já avisa geral pra regular na abordagem: “Não gosto de cara grudento, não tenho paciência pra ficar no MSN, nem para ficar recebendo e mandando mensagem no celular”. Recado dado, não pedimos o celular da moça.
Sem mensagens, sem conversinha no MSN, mas ceva abundando pelo salão, com duas mesas de sinuca avonts. Deu vontade de alterar a data de nascimento no meu RG e me enturmar de vez. “Se o dono de um bar quer fazer o negócio bombar, tem que chamar a gente pra fazer festa.”

Instantes depois, o mezanino é invadido por um furacão chamado Mimi. Perfumada e bem disposta, a tia reponde de bate-pronto tudo o que queremos saber. “Não tô aqui atrás de casamento, sou uma mulher independente.” E afirma que, depois dos 40, aprende-se a aproveitar o que há do bom e do melhor. “O sexo fica muito melhor, eu me acho uma mulher mais madura, que sabe das coisas, sou mais experiente. Passei a me curtir mais, a me embelezar mais, até pelo medo da concorrência das menininhas. Ah, e tô procurando qualidade, não quantidade.”

Percebe, delinqüente infante? Não chegue numa senhora dessas com a cabeça (as duas) cheia de pedrinha azul, querendo proporcionar horas intermináveis de entra e sai. Elas já foram casadas durante décadas e têm duplas, trios e até quartetos de filhos na árvore genealógica. E se encontrar Mimi pela noite, capriche na abordagem. Para ter uma idéia do poderio dessa mulher, um técnico de futebol, famoso por curtir manicures, está no currículo dela. Então o lance é saber apertar os botões certos e fazer a máquina andar.

Do outro lado dessa caça às coroas, está Jorge (vamos chamá-lo assim pra não dar zica), engenheiro elétrico aficionado por lobas desde a tenra idade. “Desde moleque eu tinha fissura pela tiazinha do 602. Ela era sempre elegante, de salto alto, perfumada, cheia de jóias e mulher de verdade, bem diferente das minas do colégio, que mal suportavam uma passadinha de mão na bunda.” Tio Jorge ganhou calos na mão de tanto fantasiar, até porque, dentro dos códigos de ética condominiais, não deve ser bacana tentar comer a mãe do amigo de play.

“O marido era juiz, e na época me diziam que juiz era pior que delegado”, lembra. Mais recentemente, beirando os 40, não teve escolha e rumou para a web, onde fez cadastro no site Par Perfeito(1). “O foda é que tive que pagar o plano ouro, com ele é mais fácil de conseguir as mais gostosas.” Jorge garimpou muito e, segundo ele, 80% do que apareceu não valia a pena, usavam óculos de grau, tinham varizes nas pernas e faziam poses imbecis naqueles sofazões que se compra em 36 vezes nas Casas Bahia.

No balanço geral do franco-atirador, cinco vítimas na categoria 45-52 anos foram pro bago. Casado e com dois filhos, afirma que hoje em dia está bem mais calmo. “Fico meio cabrero pensando se lá no meu prédio não tem alguém tocando uma bronha pra minha mulher.”

(1)Vai lá: www.parperfeito.com.br


AH, ME DÁ UM BEIJO, VAI!
Por Vini de La Rocha

Ela, de supetão: “Oi, vamos conversar?”

Eu, pego de surpresa: “Opa... vamos, vamos sim. E aí, como cê chama?”

Ela, com a língua quase na minha cara: “Ah, me dá um beijo, vai?”

Eu, me fazendo de louco: “Esse é o seu nome?”

Assim, à primeira vista, parece o paraíso para qualquer homem solteiro à procura de diversão e algo mais, né? Pois é... E, dependendo do nível alcoólico, até daria pra se sentir no céu mesmo.

Ou seria no inferno? Bom, deixa eu contextualizar a situação em que transcorreu esse diálogo. Puteiro? Cabaré? Avenida Farrapos esquina com a rua Câncio Gomes? Não, não... Foi numa balada na noite paulistana mesmo, em plena Avenida Paulista.

Era um sábado e chovia pra caralho em Sampa, coisa mais que normal nesta época do ano. Eu me preparava para sair na noite, mas estava com uma puta dúvida na cabeça: “Me apresento como jornalista e saio à procura de fontes em potencial, ou simplesmente vou como um caçador de titias?”.

Incumbido de escrever sobre as coroas que saem na noite pra pegar moleques, chamei um parceiro, também jornalista, para ajudar na empreitada. Wilson, nome fictício, é claro, porque o cara tem namorada em Porto Alegre, teve a brilhante (?) idéia de se apresentar para as “meninas” de meia-idade como instalador da NET.

Bom, a história do Wilson termina aqui... Não sei bem ao certo das abordagens dele, mas pelo que me contou, rolou um certo preconceito com a profissão. Enfim, o que interessa é que não pude usar meu amigo como fonte, pois o Wilson não teve nada pra acrescentar na matéria.

Eram exatamente 23h59 quando cheguei ao local da festa (um amigo metido a gigolô foi quem deu a dica). E, logo na entrada, sentado numa mesa, me deparo com um tiozinho com a cara do Ricardo Teixeira, o presidente da CBF. Ao lado dele, uma senhora que tinha todo o jeito daquelas secretárias que a gente vê nos consultórios médicos. E, logo ao lado, um outro tiozão idêntico ao meu dentista. Neste momento, eu pude sentir o que viria pela frente... E realmente não demorou muito para vir. A começar pela banda, uns “jovens” com cara de funcionários públicos insatisfeitos com a burocracia do trampo. Menos mal que tocaram uma do Raulzito, só de arreganho.

O “tiroteio” rolava solto na pista. A auto-estima de qualquer um sobe facilmente até o teto. Mas, infelizmente (ou felizmente), as mulheres mais gatas do local eram um casal de lésbicas, também “jovens senhoras”, a coisa mais linda de se ver. Mas nem olhavam para os lados. Ou seja, pegar ali, nem pensar. Mas eis que, para a minha alegria (?), surge a moça do diálogo lá de cima... Sabe como é, não era lá essas coisas, mas cerveja vai, cerveja vem, eu querendo mais uma história pra minha matéria...

É assim que as coisas acontecem, né? Não? Tinha um cara rasgando a Rê (o nome dela, provavelmente uma abreviação de Renata), mas a casa estava tão cheia que não tinha como a gente não se encostar. Foi nesse momento que ela chegou chegando e aconteceu o fatídico diálogo.

Confesso que faltou manguaça para eu beijar aquela boca experiente. Mas negar-lhe o beijo foi a melhor atitude que eu poderia tomar naquela altura da noite, pois não deu nem dois minutos e lá estava a coroa colada em outro cara, encostada na parede. E o que é pior... beijando o moleque. Nada contra as lobas, muito pelo contrário, mas beijar aquela senhora bêbada não tinha a menor condição. Porém, antes de finalizar, preciso me confessar: eu peguei o telefone dela. Não sei bem ao certo por que, mas peguei. Sabe como é, né... Vai que um dia, numa noite solitária, sozinho em casa, assistindo TV...


PASSINHO PRA FRENTE...

Por Dimitri Savoya

Hoje em dia, mais do que talento, são os contatos que abrem portas. No meu caso, através do amigo do amigo do amigo, a VOID me chamou para relatar uma das minhas experiências com lobas. Quem me conhece sabe que sou grande apreciador dum bom coxão mole, então comigo é sem stress falar.

Tenho inúmeras histórias, mas a mais peculiar foi vivida dentro de uma cozinha, em um apartamentinho acanhado na Zona Leste de Porto Alegre, depois de algumas horas em um bar qualquer, com um par das uruguaias Patrícia de molho em um balde em cima da mesa. Do nada, uma mulher dos seus 45 anos senta-se ao lado. Com aquele torpor que praticamente obriga o cara a fazer merda, mandei um recado maroto pelo garçom. Ela riu e sentou ao meu lado.
Exatos 45 minutos depois, estávamos na cozinha dela. Pernas abertas, calcinhas na altura dos tornozelos e braços na pia. Metendo por trás em um dos melhores in and out que já tive. Detalhe: enquanto metíamos, a filha da coroa, uma menina magrinha no alto de seus 10 anos, estava sentada no sofá da sala, nem aí para a balbúrdia que rolava solta na sala ao lado, hipnotizada pelo Zorra Total: “Passinho pra frente, passinho pra trás”.
Não lembro o nome daquela coroa fogosa, ela não me deu telefone, preferiu anotar o meu e nunca mais ligar.


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